Joao Gomes Realarte
Olhar a arte com olhos de ver. Looking at art with eyes that see.
joao-gomes-escritor-879-748.jpg

Blogue Artes Literárias

Este blogue é dedicado ao pensamento do dia e a vários artigos, sobre variadíssimos temas escritos pelo autor.

O verdadeiro Cristão; Visto por um ateu

Afirmou José Saramago: — Não obstante ser ateu sinto-me empapado de cristianismo.—
(Estamos todos de uma maneira ou outra, uma vez que a nossa cultura é cristã.)
O verdadeiro cristão não tem credo (politica), religião, ou raça. 
Sendo um homem livre não pode estar sujeito às condições que o credo, a religião, ou a raça lhe ditam, ou mesmo lhe impõem.
O verdadeiro cristão é universal. E nem sequer precisa ser cristão para o ser. Parece paradoxal, mas não é. Afinal o nome cristão é somente um rótulo, e todos sabemos que o rótulo não é a embalagem e muito menos o conteúdo da dita.
Ser cristão é um estado de espírito. 
Ora sendo um estado de espírito, esse estado de espírito pode encontrar-se num judeu, muçulmano, budista, confucianista, ateu, agnóstico, etc, etc.
Um exemplo: Certo dia os discípulos de Jesus acercam-se dele, carregados de indignação e dizem-lhe:— Mestre! Andam homens a pregar e a curar pessoas, mas sem embargo não o fazem em teu nome.— Ao que Jesus terá respondido:— Quem não está contra mim está por mim.—
Aqueles homens de quem os discípulos falavam, afinal partilhavam o mesmo estado de espírito de Jesus. Ensinar as pessoas e procurar resolver as suas maleitas. No fundo eram verdadeiros cristãos ainda que não ostentassem tal rótulo. 
Diz o povo sabiamente:— O hábito não faz o monge.— De facto assim é. Existem cristãos que não o são, e existem não cristãos que o são.
Qual a diferença entre um muçulmano e um cristão se ambos tiverem um bom coração? Não existe diferença. Dois corações bons, partilham o mesmo espírito. Só um mau cristão ou um mau muçulmano é que criam a diferença. 
Afirmou o Papa Francisco: — Mais vale, um ateu de bom coração do que um cristão hipócrita.— E tem razão. Neste caso o ateu tem um espírito cristão e o cristão não tem esse espírito. Uma vez mais se constata que o hábito não faz o monge.
O verdadeiro cristão, é universal e uno. Não se perde em quimeras dualistas.