Joao Gomes Realarte
Olhar a arte com olhos de ver. Looking at art with eyes that see.
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Blogue Artes Literárias

Este blogue é dedicado ao pensamento do dia e a vários artigos, sobre variadíssimos temas escritos pelo autor.

O mal transvertido de bem

O mal é o mal, ainda que o disfarcemos de bem.
Sendo o mal, variadíssimo neste mundo debrucemo-nos só no mal existente à face da Terra, e que é, indubitavelmente, um ser humano tirar a vida a outro ser humano.
Se um ser humano tirar a vida a outro, sem que o faça em legítima defesa (única excepção admissível), é justo que receba o devido castigo. Mas tal castigo nunca poderá passar pela pena de morte. O mal jamais poderá ser castigado com outro mal. Se o mal é castigado com outro mal, ainda que este outro mal, esteja disfarçado de bem (justiça, em nome de deus, etc.), só se está a generalizar o mal e nunca a combatê-lo. Afinal de contas, não só se está a generalizar o mal, como inclusive a banalizá-lo ao dar-lhe por conveniência o estatuto de bem.
Exemplificando: Um soldado vai para a guerra, e mata muitos seres humanos. Está mal. Mas sem embargo é condecorado como se tivesse feito um grande bem ao país, ou mesmo à humanidade.
Um juiz manda alguém para a cadeira eléctrica, forca, etc. Está mal. Mas a sociedade não vê nessa acção um mal, porque o dito está camuflado de bem.
Matar está mal. Mas se for a lei já está bem?
Matar está mal. Mas se for em nome de deus está bem?
Não matarás. Por acaso este mandamento tem alíneas subjacentes que digam que se pode matar em nome de leis criadas pelos homens, ou mesmo em nome de deus? Não. Sem embargo as leis dos homens e em nome de deus têm sido as principais causas da tremenda mortandade de seres humanos ao longo da história da humanidade.
Resumindo e concluindo. Como poderá algum dia desaparecer da face da terra o mal, se tanto "bons" como maus o praticam?