Joao Gomes Realarte
Olhar a arte com olhos de ver. Looking at art with eyes that see.
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Blogue Artes Literárias

Este blogue é dedicado ao pensamento do dia e a vários artigos, sobre variadíssimos temas escritos pelo autor.

Desperdício imoral

A comida era muita, mesmo muita atendendo ao número de convidados.
O anfitrião quando mandara pôr aquela comida toda em cima das várias mesas dispersas pelo jardim da vivenda, sabia de antemão que nem uma quarta parte da dita seria consumida. Se sabia porque agiu daquela maneira? Para impressionar os convidados. Para que eles constatassem a sua opulência.
Fê-lo por vaidade. 
No final da festa foi tudo para o lixo. Rigorosamente tudo para o lixo. Não se aproveitou um único camarão das várias pirâmides que lá estavam produzidas com os ditos crustáceos. Não se aproveitou nem uma fatia de carne assada dos vários lombos fatiados que lá estavam. Não se aproveitou uma fatia de bolo dos vários bolos que lá estavam e que por sinal nem sequer chegaram a ser fatiados. Nada. Não se aproveitou rigorosamente nada da enorme abundância de comida que lá estava. Tudo para o lixo.
O anfitrião simplesmente viera passar um fim-de-semana ao Algarve, à sua residência de Verão, e aproveitara para fazer uma festa com o intuito de impressionar os amigos e convidados, voltando de novo para a sua residência principal que tinha na capital. 
O que se acabou de descrever aqui é um acto isolado. Agora imaginemos os milhões de casos "isolados" que se passam todos os dias do ano por este mundo afora. É muita comida desperdiçada só porque se quer impressionar amigos e convidados numa qualquer festa de ocasião. É uma afronta a todos aqueles que passam fome neste mundo, cada vez mais assimétrico. É imoral este estado de coisas. 
Creio que nunca, mas mesmo nunca, em toda a história da humanidade se produziu tanta comida como nos tempos actuais graças aos avanços tecnológicos. Sendo certo que a comida que se produz, bem distribuída, daria para todos os seres humanos se alimentarem, mas sem embargo ainda continua, e vergonha das vergonhas, a morrer gente à fome. 
(É muita lata a do ser humano invocar um deus, quando deixa morrer o seu semelhante à fome.)