Joao Gomes Realarte
Olhar a arte com olhos de ver. Looking at art with eyes that see.
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Blogue Artes Literárias

Este blogue é dedicado ao pensamento do dia e a vários artigos, sobre variadíssimos temas escritos pelo autor.

É inadmissível num estado democrático

É no mínimo inadmissível que num estado supostamente democrático, um trabalhador pretendendo denunciar, e com toda justiça, o que não está bem em determinada firma, ou instituição do estado onde exerce as suas funções, se veja obrigado a esconder a cara receando sofrer represálias por parte das ditas.
É no mínimo inadmissível que num estado onde supostamente reina a democracia, a justiça pretenda premiar o bufo se este estiver disposto a colaborar com ela. Isto é, se fizer o trabalho da dita, porque esta por inércia ou incompetência não consegue fazer.
É no mínimo inadmissível que uma instituição de caridade, pertença do estado (todos nós) e que recolhe fundos por diversos meios, precisamente para ajudar os mais necessitados, use esses mesmos fundos para injectar em bancos privados, em detrimento daqueles aos quais os ditos fundos se destinavam.
É inadmissível que num regime dito democrático, se beneficiem largamente algumas minorias, em detrimento de todo um povo.
É inadmissível que num estado que se diz democrático os governantes legislem em proveito próprio em detrimento de todo um povo. 
É no mínimo inadmissível que num estado democrático o fisco perdoe milhões de euros de impostos a grandes empresas, e penhore por dá cá aquela palha o miserável ordenado de um trabalhador, por uma dívida ao fisco, ainda mais miserável.
É no mínimo inadmissível que num estado que se diz e se quer democrático, o dito, penalize o povo em geral, sobrecarregando-o de impostos, para que pague as fraudulentas falências de alguns bancos.
É no mínimo inadmissível que num estado democrático as pessoas que foram vítimas das fraudulentas falências de alguns bancos, e que ficaram sem as suas poupanças ainda tenham de repor através dos impostos que pagam esse dinheiro que lhes foi roubado (duplamente roubados).
É no mínimo inadmissível que num estado democrático o governo dê prémios de produtividade a gestores de empresas públicas que as levam à pré-falência e falência.
É no mínimo inadmissível que num estado democrático e dito laico, o representante de todos os portugueses ande para aí a oscular a mão de representantes da igreja católica. Procedendo assim nunca poderá afirmar que é presidente de todos os portugueses. Nem todos são católicos.