Joao Gomes Realarte
Olhar a arte com olhos de ver. Looking at art with eyes that see.
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Blogue Artes Literárias

Este blogue é dedicado ao pensamento do dia e a vários artigos, sobre variadíssimos temas escritos pelo autor.

Curiosidades

Erro crasso

Quando ainda existiam toalhas nas casas de banho públicas, desconheço se proibiram tal, dado que já raramente se vê, todo mundo limpava as mãos à segunda dobra da dita, porque todo mundo partia do princípio que todo mundo limpava as mãos na primeira dobra. Resumindo: Todo mundo limpava as mãos na dobra mais encharcada.

Pópó, o bem mais precioso, e os concursos televisivos

Era de tal maneira venerado o pópó nos anos setenta e oitenta que, a euforia de algumas pessoas que ganhavam o dito num qualquer concurso televisivo era avassaladora. Nem mesmo ganhar uma casa era tão festejado como o pópó. Ainda hoje o poplinas continua a ser venerado, embora já não se gaste tanto em extras, e outras coisas que se compravam para embelezar ainda mais o deus pópó. Aquilo era almofadas, bordados em cima do tablier, a forrar os assentos, um cajado para prender a direcção, jantes especiais, e sei lá que mais. Tudo em prol do deus carro em detrimento da própria casa de habitação.

Jogar à bola sim, mas e os sapatos?

Ainda me recordo de ver miúdos descalçar os sapatos para poderem jogar à bola sem estarem preocupados com a eventualidade de os estragar.
Certo dia estando um puto a jogar descalço erra o esférico e afinfa tamanho pontapé no chão que de imediato lhe saltou a unha do dedo grande. Em tremenda agonia disse ele para os colegas:— Ainda bem que não tinha os sapatos calçados.—
Nesse tempo lojas de pronto a calçar eram escassas.
Para se adquirir um par de sapatos era necessário tirar a medida ao pé, ou melhor, metia-se o pé em cima de um cartão e o responsável da loja com um lápis desenhava o pé do cliente no dito, e os sapatos eram feitos a partir desse desenho. Depois era esperar quinze dias.

Outros tempos.