Joao Gomes Realarte
Olhar a arte com olhos de ver. Looking at art with eyes that see.
joao-gomes-escritor-879-748.jpg

Blogue Artes Literárias

Este blogue é dedicado ao pensamento do dia e a vários artigos, sobre variadíssimos temas escritos pelo autor.

Será a mentira sempre condenável e a verdade sempre louvável?

Como diz o ditado: — Não há regra sem excepção. — Nesta situação também existe a excepção.
Mentira louvável.
Passo a exemplificar: Pedro era um homem adorado por todos na vila onde vivia. Pessoa integra, sociável, amigo de todos, e sempre pronto a ajudar quem dele necessitasse, mas um dia o azar bateu-lhe à porta. Estava no dia e na hora errada em determinado lugar onde se deu um homicídio, e foi acusado de ter sido o autor. Fora ele que matara fulano.
Após o veredicto, sentença de morte, Pedro conseguiu ludibriar as autoridades e fugiu do tribunal, indo refugiar-se no convento da vila, protegido pela Madre Superiora dado que mantinha uma grande amizade com esta, e que desde logo acreditou na sua inocência.
Madre Superiora, também ela muito respeitada por todos na aldeia, era famosa por jamais mentir.
Os guardas após vasculharem todas as casas da aldeia com o intuito de apanhar Pedro para que a sentença dada pelo tribunal pudesse ser executada, não o encontrando, numa derradeira tentativa foram ao convento e perguntaram à Madre Superiora se porventura o foragido Pedro tinha sido visto por aquelas bandas tendo a Madre Superiora obviamente mentido ao responder que não. Como é óbvio os guardas acreditaram nela, pois sabiam que a Madre jamais mentia, e foram embora.
Pedro manteve se escondido no convento até ao dia em que o tribunal que o condenara o ilibara, uma vez que tinham surgido novas provas que incriminavam um outro sujeito.
Resumindo: Será a mentira da Madre Superiora condenável? Não creio. Antes pelo contrário. Foi uma mentira louvável visto ter servido um nobre desígnio Afinal a mentira de Madre Superiora salvara a vida de um inocente.
Verdade condenável.
A senhora tem um grave problema no coração. Não pode de maneira alguma sofrer um abalo forte, sob pena de sofrer um ataque cardíaco e cair fulminada.
A senhora: — E o teu irmão, João? — 
O Filho: — O meu irmão teve um acidente e encontra-se às portas da morte. — Pois claro. A senhora caiu fulminada.
Não teria sido melhor o filho lhe ter dito uma mentira piedosa? 
Por exemplo. O João foi ao hospital tratar de um dente. No outro dia dizer-lhe: — Parece que o tratamento do dente se complicou e vai ter que ficar mais um dia ou dois no hospital. —
Pouco a pouco para a pessoa poder assimilar e assim sobreviver.