Joao Gomes Realarte
Olhar a arte com olhos de ver. Looking at art with eyes that see.
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Blogue Artes Literárias

Este blogue é dedicado ao pensamento do dia e a vários artigos, sobre variadíssimos temas escritos pelo autor.

Mudar o mundo

Diz-se que não há poder para mudar o que está mal neste mundo.
Não concordo com tal afirmação.
De facto podemos mudar o que está mal neste mundo. Mas mudar o que está mal neste mundo, não pode começar por querermos mudar o que está mal nos outros, mas sim o que está mal em nós próprios. Se conseguirmos mudar o que está mal em nós, já demos um grande passo para que o mundo fique um pouco melhor.
Mas a verdade é que não fazemos isso, porque tendemos a culpabilizar os outros pelos males que existem no mundo. Mas quais outros? Se todo mundo pensa que o mundo está mal por causas dos outros, chegamos à conclusão que afinal os outros somos todos nós.
Culparmos os outros é uma forma ardilosa da nossa parte por não queremos assumir a nossa quota-parte de responsabilidade dos males que afligem o mundo.
E tem sido assim desde os primórdios da humanidade.
Adão não assumiu a culpa por ter comido a maça e culpou a Eva dizendo que ela o induzira a isso. Eva por sua vez também não quis assumir a culpa e culpou a serpente.
Hitler culpou os judeus por todo mal existente na Alemanha.
Os alemães culparam Hitler de todas as atrocidades cometidas na guerra.
O violador culpa a vítima argumentando de que ela estava mesmo a pedi-las.
Os povos culpam os políticos pelas dificuldades que passam. Os políticos culpam os povos pelas suas escolhas.
O paciente culpa o médico por não o saber curar. O médico culpa o paciente por este não seguir à risca as suas instruções. Como podemos almejar um mundo melhor se não reconhecemos a nossa quota-parte de culpa sobre o mal existente neste mundo? 
E está de tal maneira enraizado em nós culparmos os outros por tudo, que se por força maior não o pudermos fazer acabamos por culpar um ser mítico (diabo) pela barbaridade que cometemos.