Joao Gomes Realarte
Olhar a arte com olhos de ver. Looking at art with eyes that see.
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Blogue Artes Literárias

Este blogue é dedicado ao pensamento do dia e a vários artigos, sobre variadíssimos temas escritos pelo autor.

Planos para a vida

Não faças planos para a vida, porque a vida pode ter outros planos para ti.
— Agostinho da Silva

À primeira vista, tais palavras podem parecer-nos estranhas. Como não fazer planos para a vida, se é normal todo mundo os fazer? Como não planear objectivos que se têm em mente? Se não os tivermos andamos à-toa. O que quererá dizer o mestre Agostinho da Silva com tais palavras? Que andemos todos ao sabor dos ventos sem vontade nem querer? Seguramente que não. O que o mestre quer dizer foi o mesmo que Cristo disse por outras palavras, ou seja: — Não vos preocupeis com o dia de amanhã, basta a cada dia o seu afã. — 
Se meditarmos bem nas palavras do mestre, de facto pouco ou nada adianta fazermos planos para a vida. Se porventura fossemos senhores absolutos dos nossos destinos, aí sim, que poderíamos, e deveríamos de fazer planos para a vida. Mas a verdade é que não o somos. Se pensarmos bem descobrimos que é muito pouco o controle que temos sobre as nossas próprias vidas, não obstante acreditarmos que sim. Mas o facto de acreditarmos que sim, não quer dizer que assim seja. A verdade é que estamos condicionados pela própria vida. (Circunstâncias.) Não somos nós que ditamos à vida as condições que queremos, mas sim a própria vida é que nos dita as condições, (impõe) e que inexoravelmente se aceita. (Que remédio.)
Quantos de nós não planeámos já mundos e fundos, e o tiro saiu-nos pela culatra? 
Cristo foi peremptório ao afirmar: — Não vos preocupeis com o dia de amanhã, basta a cada dia o seu afã. —
Realmente o que nos adianta estarmos preocupados com o dia de amanhã? Nem sequer temos a certeza de acordarmos. O amanhã, no fundo, é só uma miragem. O hoje é real.
Por isso é absolutamente desnecessário estar a preocupar-nos com uma miragem. Porque haveremos de partir a cabeça com algo que ainda não existe, quando já temos a canseira suficiente com o hoje, o real?
Diz o povo sabiamente: — Não guardes para amanhã o que podes fazer hoje. — Pois claro. O hoje é que é importante. É que é real. O resto é preocupação acrescida e por sinal desnecessária.