Joao Gomes Realarte
Olhar a arte com olhos de ver. Looking at art with eyes that see.
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Blogue Artes Literárias

Este blogue é dedicado ao pensamento do dia e a vários artigos, sobre variadíssimos temas escritos pelo autor.

Viver para sempre

O sonho de quase toda a humanidade

Digo quase toda, porque existe uma pequena fatia dela que por uma razão ou outra não desejaria isso. Exemplificando: Temos aqueles que se suicidam, aqueles que têm uma verdadeira atracção pela morte, e ainda outros mais, por variadíssimas razões. Supondo que tal seria possível para quem desejasse como seria?
Envelheceriam indefinidamente? Se assim fosse, poderemos imaginar o aspecto que tais seres humanos teriam daqui a cem ou duzentos anos. Bem mais difícil será imaginar daqui a mil ou dois mil anos. Não existiria o processo de envelhecimento? Neste caso nascíamos e seríamos eternamente bebés porque crescer é envelhecer. Finalmente deixariam de nascer bebés porque, bebés não podem conceber outros. Seria a estagnação e por fim o colapso da raça humana. Chegando a determinada idade em que o ser humano já pode procriar o processo de envelhecimento parava? E qual seria a melhor idade para o processo de envelhecimento parar? 
"Ai quem me dera ter outra vez vinte anos." 
Aos vinte anos? Em poucas décadas, só existiriam no mundo jovens de vinte anos. Pais, filhos, mães, avós, bisavós, todos com vinte anos.
Os pais cuidam e ensinam os filhos, porque têm mais tempo de existência neste mundo do que eles, logo mais experiência de vida, o que não aconteceria se o processo de envelhecimento parasse aos vinte anos. Que conselhos poderiam dar os pais de vinte anos aos filhos com a mesma idade que eles? Neste caso quem cuidaria de quem?
Imaginemos agora outra situação. Pais que tivessem optado pela eternidade, a ver os seus filhos a envelhecer e a morrer, porque estes optaram por não serem eternos. Que desgosto não seria para esses pais. Claro que estes pais sendo eternamente jovens poderiam conceber mais filhos mas, tal nunca lhes colmataria a dor da perda dos outros, porque todos os filhos são únicos. 
Ora, dado que a mortandade de humanos seria muito baixa, uma vez que só morria quem assim o desejasse, em poucas décadas não haveria espaço no planeta para tanto humano, e as consequências seriam desastrosas. Devorariam tudo, exterminariam tudo, e quando acabasse todos os recursos no planeta acabariam por se comerem uns aos outros. O último humano que sobrevivesse acabaria inevitavelmente por morrer à fome.
Resumindo: O desejo da humanidade de ser imortal não passa de um profundo egoísmo da dita. Felizmente que tal desejo não passa de mera utopia.