Joao Gomes Realarte
Olhar a arte com olhos de ver. Looking at art with eyes that see.
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Blogue Artes Literárias

Este blogue é dedicado ao pensamento do dia e a vários artigos, sobre variadíssimos temas escritos pelo autor.

Mensagem de Ano Novo

Antes de mais gostaria de desejar um feliz e próspero Ano Novo. 
Embora o meu desejo seja genuíno, sei que tal não irá acontecer para milhares de portugueses, e eventualmente até para alguns dos meus amigos, quer sejam reais ou virtuais. Estando consciente desta realidade soa-me a falso este meu desejo, e até me parece revestido de alguma hipocrisia. Como posso desejar feliz Ano Novo a alguém que ganha um ordenado miserável que mal lhe dá para pagar o aluguer da casa que habita, e o pouco que lhe sobra (alguns trocos), ainda tem de pagar água, luz, gás, educação dos filhos, pôr comida na mesa, etc,etc. 
(As carteiras da maioria dos portugueses andam recheadas de moedinhas, faz-me lembrar tempos idos. Tempos da outra senhora. Só moedinhas. Muita moedinha havia nesses tempos. E pelo andar da carruagem parece que nos querem remeter para esses tempos novamente.)
Está na mão do povo não deixar que isso aconteça. Chegar à democracia foi um longo percurso, mas se nada se fizer para preservá-la rápido se perderá.
Para os donos disto tudo, tanto se lhes dá como se lhes deu, ou seja, viverem em democracia, ditadura, quer seja de direita como de esquerda, ou até mesmo militar. Eles serão sempre os donos disto tudo. De maneira que não são eles que vão zelar pela democracia, embora afirmem que sim, essa tarefa cabe ao povo.
Mas manter a democracia não passará só por parole, parole. A palavra só por si, e ainda mais nos nossos dias, não tem, ou não lhe dão qualquer valor, se não for acompanhada de acção. No fundo creio que foi sempre assim. Diz sabiamente o povo que palavras leva-as o vento, ou cão que ladra não morde. E é esse o problema dos portugueses, fala, fala, mas não morde. E aqueles que nos desgovernam a vida sabem disso, de maneira que não é à-toa que fazem aquilo que todos nós sabemos.
Se não nos consciencializarmos que temos de falar menos e intervir mais, teremos pela frente natais e passagens de ano cada vez piores.